26.1.10

Choices


Nossas renúncias são as coisas que nunca foram. Nossas conquistas são os troféus imaginários em nossas estantes.
Tudo o que somos hoje é aquilo que escolhemos ser, mesmo que as vezes nem tenhamos percebido que ao escolher algo, descartamos outra coisa. Mas agora estamos aqui, assim como estaremos em outro ponto em algum tempo, e em outro em mais tempo ainda. Mudamos porque escolhemos mudar ou por que as mudanças nos escolhem. Agora olhamos para trás e aquilo o que vemos no chão são nossas renúncias. Olhamos dentro dos bolsos e encontramos o que conquistamos. Se em algum dia não houverem renúncias e ganhos, se não houverem consequências... Não será uma escolha mas sim a falta dela.

18.1.10

De Novo.


Se a chuva se retraísse ao ceu novamente, e o Sol voltasse a brilhar... Se o trem voltasse a passar pelos trilhos, e a fumaça cinza estivesse ali. Se seus olhos ainda estivessem secos, suas cartas ainda não fossem escritas, suas pedras não fossem atiradas... Se ainda não houvesse asfalto, se sua cortina estivesse aberta, o coração acelerado, o relógio parado. Se as nuvens não estivessem ali, e seu guarda-chuva estivesse fechado. Se não perdesse o último ônibus, se as palavras não lhe faltassem e o pó não fora assoprado. Se os livros ainda não foram abertos, as árvores não houvessem crescido, a música não estivesse tocando... Se em sua face ainda houvesse um sorriso. Se ninguém o tivesse roubado, a fotografia não estivesse rasgada, o telefone tivesse sido atendido... Se tivesse dez minutos a mais, ou uma eternidade a menos. Se não tivesse sentado e esperado. Se o Sol voltasse a brilhar... Você mudaria tudo ou deixaria estar... De novo.

15.1.10


Que abram-se as cortinas, pois o show já começou. As luzes já acenderam-se, o palco tem um brilho incabível aos olhos de quem vê. O cenário está montado, a música já foi passada. Milhares de gritos rasgam o silêncio. Eles estão impacientes... Onde está nossa maior estrela? Onde estão nossos protagonistas? É a hora de fazer o que se há para fazer.
Como poderei encará-los nos olhos, se nem no espelho sou capaz? Por que há tanto barulho em mim? Não ouço os gritos lá de fora, pois os sussurros do silêncio me invadem. Me dizem para ir e para ficar. Para encará-los e para deixá-los sem resposta. Preciso de alguém, preciso de quem encubra meu coração para pará-lo de fazer bater tão forte em sua gaiola. Acalme-se, acalme-se. Já estou indo. Mas este desespero não está no papel... O que há de errado? Estou com medo de olhá-los nos olhos, de examinar suas faces, de costurar os seus sorrisos. Não sei o que fazer-lhes, não sei como dizer-lhes que preciso, por favor, de alguém que acalme meu coração. Não há ninguém aqui?
Já é dada a hora de tirarmos os figurinos. Recolham o cenário, apaguem as luzes coloridas... Amarelo, verde, azul. Todos voltam para a casa, pois o show já terminou. Fecham-se as cortinas, a música se foi. Onde está nossa maior estrela? Onde estão nossos protagonistas? Não houveram aplausos esta noite, e nosso palhaço nos entristeceu.

13.1.10

Feelings


Os sentimentos têm esse estranho poder de dominação. Primeiro eles nem se mostram em nós, até que movem-se do exterior e colocam-se em nossas mentes. Então o tempo se arrasta e nós começamos a perceber a existência de algo novo... Algo refrescante. Gostamos daquilo. Eles estão no centro e surgem várias setas imaginárias, cada uma apontando para uma direção diferente, nos dando opções sobre o que fazer com esse desconhecido tão agradável e misterioso. Eles parecem tão inofensivos... Chegam de mansinho, como se te pedissem abrigo. Eles chegam e começam a te seguir aonde quer que você vá... Até que chega uma hora que te alcançam, e tornam-se suas pernas, seus braços, sua mente e seu coração. E aí é você que começa a ir aonde eles te levarem, porque eles não te pertencem mais. Você é a presa agora.

9.1.10

Solitude



Ó solidão, és minha força. Meu contraste comigo mesma. És aquilo que me fortalece quando tanto preciso de alguém e apenas você surge ao meu lado. E também estás ali quando não quero estar e quando as quatro paredes que me cercam, me bastam. Tua presença nunca me machuca, nunca me transborda. Não me dissipas, não me saturas. Me deixas ser como sou. Apenas quando estou contigo posso ser minha essência transparente, posso fechar meu sorriso e abri-lo novamente apenas às minhas relutâncias. Tantos te desmerecem, te varrem ao longe... Tantos tentam te empurrar para fora, jogar-te da janela do décimo andar. Eles tentam afundar-te nos aquários. Eles não sabem o bem que fazes à eles... Ou será que tua generosidade é privilégio meu? Em tantos momentos eu tenho todos ao meu redor e tudo o que quero é tua presença...
Trazes sempre contigo esse silêncio que me fascina, esse cheiro de espaço vazio, impenetrável, inquebrável. Me fazes conversar comigo, me fazes pensar em mim, me fazes ser tão mais racional. Prometa-me teus laços eternamente. Deixe-me que te tenha comigo sempre que preciso. Ó Solidão, aceite minha companhia pois preciso da tua.

6.1.10

Dois mil e dez

A algum tempo que já não dou muita importância à virada do ano. Me convenci, não lembro direito quando, de que é só mais uma mudança de calendário, mais um círculo que vai terminar em 12 meses para tudo se repetir novamente... Mas é claro que não é bem assim, sempre há mudanças mesmo que seja a diferença do grau de ensino na escola. Lembro que desta vez, alguns minutos antes de trincar meia noite, pensei um pouco.
Não pensei naquilo que eu havia passado em 2009, mas sim naquilo que vou passar em 2010. Decidi, definitivamente, que serei melhor. Não irei alcançar meu ápice pois para isso demoraria muito mais tempo. Às vezes parece difícil ser uma pessoa correta, mas não é tanto assim. Me convenci de que poucos hábitos alterados causam uma mudança relativa no final.
As pessoas tem o costume de dizer que são o melhor que podem e que cada um é somente aquilo que pode ser, mas na verdade todos são só aquilo que se adaptaram a ser, se refugiaram. Esqueceram-se de que podem ir além disso, ou então não esqueceram mas o arrastam para o lado como um móvel atrapalhando a passagem da sala. O pensamento humano me surpreende e me fascina. É belo e terrível.